Terra do Meio
A pecuária ocupa áreas de parques e reservas na região da Terra do Meio.
Localizada no sudeste paraense, a região ficou conhecida nacionalmente quando o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, promoveu um leilão com os bois que eram criados ilegalmente dentro de uma reserva da região.
Segundo o pesquisador do Imazon, as criação de várias unidades de conservação, em 2003, freou o desmatamento por um tempo, mas agora as estradas clandestinas e as clareiras voltaram a se abrir, cedendo espaço para o gado. "Como o governo não está implementando [as reserves criadas no papel], está havendo um repique de desmatamento", explica.
Nas imagens de satélite, o internauta pode observar como duas reserves, localizadas ao leste da cidade de São Félix do Xingu, seguraram a onda de devastação, que se acabou se alastrando nos arredores da sede do município.
Transamazônica
Projetos antigos de colonização eram baseados em estradas paralelas que saíam da Transamazônica.
A construção da rodovia, na década de 1970, abriu caminho para a maior onda de ocupação da Amazônia. No Pará, é possível observar no mapa um tipo de organização das estradas conhecido como "espinha de peixe". Ele foi utilizado nos primeiros assentamentos criados pelo governo na beira da estrada.
"Ao longo da estrada principal são criados os travessões [estradas secundárias], espaçados a cada 10 quilômetros. O processo de desmatamento vai ocorrendo ao longo desses travessões.", esclarece Souza Jr.
BR-163
Parques e reservas criados ao longo da rodovia não foram suficientes para barrar destruição na BR-163.
A rodovia que liga a capital de Mato Grosso, Cuiabá, ao município paraense de Santarém é hoje um dos maiores problemas para os fiscais do Ibama. Com o anúncio do asfaltamento da rodovia, houve uma corrida para a região.
Assim como na Terra do Meio, foram criados muitos parques e reserves nos entornos da rodovia, mas a maior parte dessas áreas protegidas não tem infraestrutura suficiente para impedir a retirada ilegal de madeira.
Norte de Itaituba
Grande trecho de floresta desprotegida está próximo a uma mina em construção ao norte da cidade de Itaituba.
Às margens do rio Amazonas, entre a cidade de Parintins (AM) e Santarém (PA), é possível observar no mapa interativo uma grande porção de floresta que ainda está preservada, mas corre grande risco, de acordo com o pesquisador do Imazon. Uma mina de bauxita está sendo construída nesse local e, apesar da obra em si ter pouco impacto ambiental, ela pode provocar uma corrida à região.
"Há vários portos próximos, indústria madeireira muito aquecida, e a fronteira do leste do Pará já está com os recursos madeireiros esgotados. Há todas as condições para que isso [o desmatamento] aconteça.", prevê Souza Jr.
Calha Norte
Mosaico de parques e reservas protege a região da Calha Norte, que é rica em biodiversidade.
Apesar de muitas áreas registrarem desmatamento acelerado, e tantas outras estarem gravemente ameaçadas, ainda há locais que guardam grandes porções de floresta intocada. Um exemplo é o noroeste paraense, na região conhecida como Calha Norte.
Segundo o pesquisador do Imazon, ali há um grande mosaico de parques e reserves estaduais que têm funcionado como barreira à destruição. "É um caso interessante porque essas unidades de conservação seguraram a grilagem [ocupação ilegal de terras públicas]."
Quem olha no mapa pode se deliciar com o grande "tapete verde" formado pelas florestas do extremo norte brasileiro. Na divisa com o Suriname, uma mancha marrom pode enganar o internauta desavisado: "Ali há vegetação de savana", explica Souza Jr.


















